Adeus ao maior “Coxa Atleticano” que existiu

Na manha de hoje tivemos a notícia do falecimento de Ayrton João Cornelsen, o Lolô. Além de desejar serenidade aos amigos e familiares, eu gostaria de falar um pouco sobre Lolô, uma das pessoas mais incríveis que já conheci.

Ayrton Cornelsen, declarado atleticano, era também um grande e magoado Coxa Branca. Tive o prazer de conviver com ele durante uma semana, na elaboração do meu TCC de jornalismo em 2011. O tema era o irmão dele, o Aryon, mas a simpatia do Lolô me conquistou.

Louco de esperto e um verdadeiro gentleman. Essas foram as primeiras impressões que eu tive ao conhecer o desbocado Lolô Cornelsen. Durante a semana que estive com ele aprendi mais sobre o Coritiba do que poderia imaginar. Lolô era Coxa, jogou no Coxa e só mudou para o lado baixo da cidade após uma briga com Antonio, mais conhecido como Couto Pereira. Quando falo em briga, é briga mesmo, porrada.

Senta que lá vêm história!

Aos 17 anos o Aryon queria jogar no time principal do Coxa, mas o Antonio (Couto Pereira), só deixava maiores de 19 entrarem em campo. Ansioso, o jovem Aryon foi jogar pelo Juventus. No mesmo ano, acontecia a inauguração da sede social do clube (aquela mesma que foi destruída para a construção da churrascaria). Ao ver Aryon, Couto Pereira o barrou, justificando que ele tinha ido para outro time.  Aryon foi para casa chorando e o irmão, Lolô, já estudante de arquitetura, viu e não gostou. Lolô pegou a bicicleta, saiu do atual SESC da Esquina e foi até o estádio Belfort Duarte, onde acontecia o baile.  Ao ver o Major Antonio Couto Pereira, Ayrton partiu para cima, teve que ser contido pelos presentes, acabou preso, pegou mágoa do Coxa e foi para o rival.

Alguns anos mais tarde, na década de 70, já formado e com renome na sociedade curitibana, Aryon fez o projeto original do novo estádio Belford Duarte a pedido do seu irmão, Aryon, o que acabou gerando outra mágoa com o clube alviverde, anos mais tarde. Lolô queria que o estádio se chamasse Aryon Cornelsen, afinal, foi o seu irmão quem construiu o estádio, não Couto Pereira, como muitos imaginam, o Major, no caso adquiriu o terreno e fez o estádio de madeira que tínhamos lá.

Lolô ainda teria mais uma participação na história do clube, afinal, foi ele quem entregou o PAVOC para os atleticanos, que anos mais tarde venderiam dando origem ao atual CT do Cajú. Novamente o Cornelsen mais velho se sentiu traído pelo Coxa, pois o projeto era para que o PAVOC fosse do Coritiba, mas alguns conselheiros da época influenciaram o clube a recusar a oferta.

Já em 2011 o Lolô que conheci, era um senhor muito educado, que me recebia de braços abertos em sua casa, ainda ao lado do SESC da esquina. Muito sereno, brincalhão e caloroso, Lolô gastou horas me contanto suas histórias, simplesmente por amor ao futebol. Lolô era atleticano, mas era Coxa também. Era uma pessoa de personalidade ímpar, que não gostava de ser contrariado. Era um gênio, talvez o segundo maior arquiteto da história brasileira, perdendo apenas para Oscar Niemeyer.

Lolô fará falta, mas agora terá a oportunidade de finalmente se entender com o Major Couto Pereira.

Fica em paz Lolô, e muito obrigado! Por tudo.

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