Baú do Tempo – Torneio do Povo

Torneio General Emílio Garrastazu Médici, ou popularmente conhecido como
Torneio do Povo, foi uma competição que reunia os times com as maiores torcidas do
país, fazendo a alegria da década de 70. O campeonato teve três temporadas e, com o
clubismo altamente presente, a mais importante foi a edição de 1973, ano em que o
Coritiba entrou e ano em que fomos campeões.

O Torneio em 73 estava com um formato diferente, foi dividido em duas fases.
Na primeira, os times (Flamengo, Corinthians, Atlético-MG, Internacional, Bahia e
Coritiba) disputavam um contra o outro. A segunda fase era para os quatro melhores
colocados, portanto, todos os times jogariam entre si. E, assim, o time que obtivesse a
maior quantidade de pontos era campeão.

O primeiro jogo foi contra o Atlético-MG, no Mineirão, 2×1 para o Coxa com gols
do Hélio Pires e Orlando. Apesar do contexto bom da época – campeão da Fita Azul,
bicampeão estadual e quinta colocação no Brasileirão – o Coxa estava longe de ser um
dos favoritos ao título. Foi nesse jogo que o misticismo do Verdão marcou presença e
daí sairia o artilheiro do time: Hélio Pires. A segunda partida foi mais turbulenta, calor
incessante e time nervoso, o Bahia saiu na frente com um pênalti e assim o jogo seguiu
até o apito final, primeira e única derrota do Coritiba na competição.
De volta para casa, o próximo adversário foi o Flamengo de Zico e Zagalo, fato
que lotou o Belfort Duarte e fez as 20 mil pessoas presentes explodirem de emoção com
os gols de Hélio Pires e Orlando. Após ter vencido o organizador da competição, o último
desafio em casa era o Corinthians, jogo que ficou marcado pelas faltas cometidas,
terminou 0x0. Por fim, a primeira fase terminou com o Verdão indo até Porto Alegre
para garantir a classificação para a próxima fase contra o Internacional, fechando o turno
com um empate de 1×1.

Quatro times classificados para a segunda fase: Bahia, Coxa, Corinthians e
Flamengo. O primeiro confronto era Coxa e Corinthians, cujo começou com desavenças
quando o time paulista proibiu que o atacante Aladim jogasse, uma vez que ele pertencia
ao clube mandante da partida, fato que só aumentou a tensão acumulada do jogo
anterior e foi o mesmo cenário violento e disputado por faltas. Entretanto, nessa partida,
os torcedores sentiram o que sentimos muito hoje em dia: gol no final do segundo tempo,
mas, para a alegria da história, quem marcou foi Oberdan, levando o time para o
penúltimo jogo no palco Maracanã. Nessas alturas, o Flamengo provocava o Verdão e
até chamaram o Coxa de “timinho”, mas o resultado foi 1×0 Coxa com gol de Zé Roberto.
A final chegou, Coxa e Bahia, Fonte Nova. A escalação do Coxa naquele 21 de
março contava com muitos ídolos: Jairo, Orlando, Pescuma, Oberdan, Cláudio Marques,
Nilo, Hidalgo, Neo, Dreyer, Negreiros, Reinaldinho, Sérgio Roberto, Hélio Pires, Tião
Abatia, Leocádio, Zé Roberto, Dirceu e Aladim. O contexto era perfeito, um empate e o
Sul seria marcado para sempre com o Torneio do Povo. Todavia, o Bahia repetiu a
mesma história e saiu na frente com um gol de pênalti seguindo de expulsão dupla do
Coritiba, a final teve que ser decidida pela raça. O lance do gol do Coxa foi uma polêmica
na época, um torcedor apitou da arquibancada e a zaga baiana parou, dando a chance
para o gol do artilheiro Hélio Pires. Após muita reclamação do time mandante, o primeiro
título nacional do Sul do país foi consagrado pelo Coxa.

Apesar do título ainda não ter sido reconhecido como título brasileiro, o Torneio
do Povo é patrimônio histórico do Coxa, assim como os protagonistas do feito. O ano
de 73 foi de festas nas ruas, torcida enlouquecida e sonhando com o próximo título que
fizesse a cidade parar de novo, afinal, Coritiba é alegria, é a festa do povão!

 

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