O fim do futebol reativo?

Na tarde do último domingo (19/01), o ano do Coritiba finalmente começou. O Coxa enfrentou a equipe do Cascavel pelo Campeonato Estadual e alcançou a vitória nos últimos minutos, para o delírio de pouco mais de dez mil pessoas. A análise, no entanto, não é baseada no resultado, mas sim no desempenho coletivo e individual. Tratado como parte da pré-temporada, que visa a preparação para as competições nacionais, o Campeonato Paranaense iniciou nos dando mostras do que o Eduardo Barroca tem em mente para a temporada, principalmente nos aspectos tático, coletivo e de postura.

A partida iniciou de maneira inesperada, com um gol de bola desviada da equipe do Cascavel já aos 3 minutos. Isso fez com que o Coritiba buscasse sempre a posse de bola e o gol de empate. Porém, na primeira etapa o time não conseguiu alcançar este objetivo. Claramente sem grande entrosamento e com preparo físico de início de temporada, o time teve dificuldades em trabalhar a posse de bola de maneira objetiva e rápida, e principalmente de ser agressivo na tentativa da retomada da posse no campo adversário. Isso culminou numa posse de bola estéril e sem grandes perigos ao adversário. Além disso, não foram raras as vezes em que o Cascavel conseguiu atacar. Mesmo com as dificuldades citadas, a ideia de jogo do treinador já era evidente, apesar de não ser cumprida de fato.

No segundo tempo, após a inversão de lado entre Rafinha e Guilherme Parede e principalmente após as boas substituições, a missão de ter a posse de bola, ser protagonista do jogo e de criar melhores chances começou a florescer. Claramente algumas peças atrapalhavam os planos de Barroca: Thiago Lopes e os laterais não conseguiam desempenhar um bom papel. Na mesma proporção, as entradas dos três jogadores suplentes fizeram toda a diferença. Com maior posse de bola, Galdezani organizando o meio campo, Welissol desafogando pela direita e Robson bem posicionado e matador, o Coxa alcançou tanto o objetivo de melhorar o desempenho coletivo quando de resultado, com a virada. Ficou claro que, com maior entrosamento e com as peças certas, a ideia de jogo do treinador será aprimorada já nas próximas partidas.

Na avaliação individual, pouca surpresa. Já eram esperadas atuações fracas de jogadores médios/ruins como William Matheus, Thiago Lopes e Lucas Ramon, principalmente por estarmos no início da temporada. Igor Jesus foi a maior decepção, esperava-se mais dele, mas foi uma partida pouco inspirada do centroavante. Os destaques positivos foram os pontas titulares, Rafinha e Parede, o meio-campo Gabriel e os três jogadores que entraram no decorrer da partida.

Foi um início de 2020 razoável. Mais atuações individuais boas do que ruins, padrão tático bem definido e principalmente uma postura menos passiva e reativa em comparação a anos anteriores. Se pudesse pontuar o principal aspecto positivo deste primeiro jogo, seria a vontade a todo momento de buscar o jogo e o gol. Espero que aquele futebol reativo e bunda mole dos anos anteriores tenha sido enterrado após a chegada do Eduardo Barroca; um enterro sem velório e muito menos luto.

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