O Porrete de Borracha

Após 4 meses de inatividade, o Coritiba de Eduardo Barroca voltou a campo para enfrentar o Paraná Clube pelas quartas de finais do Campeonato Paranaense. A despeito da completa falta de ritmo de jogo e do mau preparo físico inerentes ao longo período sem jogos, o Coxa manteve sua ideia de jogo. Tanto na partida de ida na Vila Capanema quanto no jogo da volta no Couto Pereira, o objetivo foi controlar a posse de bola. Durante boa parte dos 180 minutos esse objetivo foi alcançado, porém com um meio campo desqualificado, esse controle do jogo se tornou meramente ilusório.

A ideia de jogo de Eduardo Barroca é boa, mas não é eficiente por falta de peças qualificadas principalmente no setor do meio campo. Isso acontece por duas questões fundamentais: falta de meio campistas qualificados no elenco e principalmente por escolhas erradas por parte do próprio treinador. Ao escolher Thiago Lopes e Gabriel para atuar na faixa central do campo, Barroca entrega um time com o meio campo sem criação, sem retenção de bola, sem criatividade e sem transição ofensiva. Estes atletas não apresentam boas condições técnicas para a função e principalmente nunca se notabilizaram em suas carreiras por serem bons meio campistas. Para piorar, além de serem inúteis na fase ofensiva, não fazem boa composição na fase defensiva, tornando o trabalho do primeiro volante e dos laterais sobrecarregado.

Com o meio de campo nulo tanto ofensivamente quanto defensivamente, abre-se uma cratera no setor. Dificulta a transição ao ataque, a criação de jogadas agudas que culminam em chances de gol e ainda por cima facilita a criação de jogadas do time adversário nesta faixa do campo. Não há posse de bola eficiente sem um meio de campo bem postado e bem escalado.

Todos lembramos da emblemática entrevista do Barroca quando comparava a posse de bola a um porrete durante uma briga. Se o treinador não encontrar a formação certa para este setor, continuaremos com um porrete de borracha, que não machuca e muito menos derruba o adversário. Pior, com o setor errando na transição defensiva como ocorreu no lance do pênalti assinalado pro Paraná ontem, arrisca ainda ser nocauteado com um soco bem no meio da cara.

O #barroquismo sem meio campo qualificado vai naufragar. O setor precisa de atletas mais qualificados? Sem dúvida. Mas com as peças que temos disponíveis no elenco, o treinador pode e deve formatar melhor a “meiuca”. O time precisa evoluir mais rápido e o treinador precisa ser um catalisador neste processo, e isso passa por escolher melhor as peças que vão a campo, não apenas ter uma boa proposta de jogo.

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