Carolina Souza

A resiliência coxa-branca

Se você acompanha as redes sociais da Rede Coxa, deve ter visto o nosso post de hoje sobre Max Kopf, o primeiro coxa-branca. A imagem deste senhor que é o símbolo da nossa torcida trouxe uma reflexão nesta semana pós derrota em casa na Série B.

Para quem não o conhece, Max Kopf foi um torcedor do Coritiba do início de sua história. Ele nasceu em 1875 na Alemanha e acompanhou o Coritiba desde a sua fundação em 1909. Ia a todos os jogos do time, o que acabou criando uma relação com o clube e com os outros torcedores, que consideravam ele o seu inseparável cachimbo um amuleto do time. Duas de suas três filhas participaram do Grêmio Coritiba, grupo de torcedoras conhecido por confeccionar a primeira bandeira coxa-branca. Mesmo depois de sofrer um derrame, Max continuou indo aos jogos acompanhado de uma bengala. Ele faleceu em setembro de 1956, vítima de um câncer na garganta, e no mesmo mês o então presidente do clube Aryon Cornelsen promoveu um concurso de desenhos para escolher o novo mascote do clube. Um velhinho com cachimbo, em alusão ao Max, foi escolhido e tornou-se o nosso Vô Coxa.

A reflexão que Max me trouxe foi sobre a resiliência coxa-branca. Não é fácil manter-se firme ao lado do Coritiba. Entretanto, Max esteve junto ao clube até o seu último suspiro e ajudou a definir e construir o sentimento alviverde. Dirceu Krüger, apesar de tantas dificuldades ao longo dos anos, foi coxa-branca até o seu último suspiro. O meu padrinho, anônimo na torcida, viveu o pior do clube, a terrível década de 90, e faleceu no início de 2000, apenas um semestre depois do título paranaense de 1999. Ele também foi coxa-branca até o seu último suspiro.

Torcedores como esses me fazem pensar no tamanho que é o Coritiba, com tantas histórias de lealdade como essas espalhadas pelo tempo e pelo espaço ao longo de todos esses quase cento e dez anos de história. Se temos um clube com o qual nos preocupar, devemos isso a pessoas como essas, que cultivaram o Coritiba e estiveram sempre ao seu lado. E agora, nós somos os responsáveis por manter esse clube vivo e pulsante e por criar novas histórias de vida que inspirem as próximas gerações. É hora de ser Max, de ser Dirceu, de ser aquele coxa no qual um dia você se inspirou. Não é hora de desistir ou de se diminuir, porque o Coxa é do tamanho de todas as histórias de amor que envolvem esse escudo. Resiliência é sobre isso: vencer obstáculos em prol de um sentimento maior e de uma instituição muito maior que só 90 minutos de futebol.