Um sentimento que eu chamo de amor

Quatro de outubro de 2014, sábado. Rua Mauá, 16h20 e uma torcida preocupada. Assim começou meu primeiro atleTIBA. Eu tinha 12 anos e um imenso amor por…. Zé Love.

O Varandas estava um pouco mais quieto e preocupado que o normal, seria o jogo que o Coxa poderia manter a esperança de fugir do possível rebaixamento e, apesar do contexto melancólico e o frio de outubro, eu estava muito animada, depois de meses de tentativas de convencimento, minha mãe finalmente tinha me deixado ir a um jogo contra o rival.

Além do Coxa ser lanterna do campeonato, os salários do time estavam três meses atrasados e o clássico ficou marcado pelo protesto dos jogadores no início da partida. Mas isso não importava mais quando o juiz apitou o início do jogo, é atleTIBA, é clássico, é decisão. Não importava mais o cenário, apenas a vitória. Entretanto, não foi fácil. Alex e Joel erraram gols, o finado Atlético sem H aproveitava os corriqueiros erros da equipe alviverde e quase marcou no primeiro tempo, eu só tampava os olhos com a touca da IAV.

Segundo tempo, torcida voltando com seus espetinhos de frango e pães com bolinho e sai o gol do Coritiba, Hélder, que até então estava sendo discutido que poderia ser banco na partida, marca aos 16 segundos. Não teve pão com bolinho que aguentou ao Tá Ligado e o Couto estava da forma que mais gostamos: sacudindo. O resto do segundo tempo foi de alguns sustos e de alívio, 18 mil torcedores provaram que tradição não é só em boa fase.

Há quase 6 anos conheci uma paixão verdadeira, apesar de eu já frequentar o estádio com meu Voucher Kids de entrada free, eu nunca tinha vivido um clássico. O real significado de fanatismo e amor floresceu nesse ano, presenciando Alex jogar e, principalmente, Zé Love (eu só tinha 12 anos, se acalmem!), que inclusive me deu tchau quando eu desci às pressas para o primeiro anel para aplaudir a vitória fazendo com que meu dia ficasse ainda mais completo. Apesar da fase difícil que vivíamos em meados de outubro/novembro de 2014, foi um dos dias mais felizes da minha existência, fui para o Couto bem mais cedo com meu irmão com trajes da Império, sofri, sorri e vivi o Coritiba.

Que nesse final de semana possamos reviver o dia do acesso, que pães com bolinho não aguentem aos gols e que mais crianças se sintam realizadas e extremamente felizes com a partida, como eu me senti em 2014. Mas, principalmente, que algum salvador inesperado como o Hélder nos leve à vitória, porque ganhar já é bom, mas ganhar do Athletico é melhor ainda.

 

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