Dirceu Krüger, o flecha loira, exemplo de comprometimento ao Coritiba
Dirceu Krüger, o flecha loira, exemplo de comprometimento ao Coritiba

Opinião

Quem não aprende com o passado, jamais terá controle de seu futuro

Nos últimos anos, vivemos apegados à necessidade de renovação do futebol e de inovar a gestão do clube.

Talvez estamos esquecendo que a torcida do Coxa ainda é grande o suficiente para manter o clube na Série A, mas precisa do mínimo de motivação para colocar dinheiro no clube.

Motivação essa que vem minguando após anos subindo e descendo a escada do Brasileirão e pelas constantes falhas de planejamento. E esse erro não é exclusivo da atual gestão.

São anos de contratos super-valorizados com jogadores que pouco pensaram na instituição, salve raras exceções. Anos de indenização trabalhista por contratos mal elaborados. Se continuar dessa forma, a conta nunca vai fechar.

Não é apenas o investimento na base que poderia salvar o Coritiba. Na verdade, a base sozinha não vai bancar tudo para o clube. A receita pode ser mais simples:

  • acabar com os contratos mal feitos – que beneficiam exclusivamente o jogador e trazem pouca ou nenhuma contrapartida para o clube.
  • evitar contratos com jogadores de idade avançada – perto de aposentadoria – que vão trazer renda nula ao clube no futuro. Podem ter exceções a essa regra, mas temos que saber equilibrar a experiência com a juventude. E trazer experiência que agregue de fato, não a que vá ficar assistindo do banco.
  • nunca mais trazer jogadores encostados que já não demonstram evolução há mais de 1 ano. Fazer um trabalho realmente qualificado para selecionar jogadores, não se basear apenas por indicações ou achismos.
  • fomentar a identificação do jogador com o clube. A torcida já está cansada com a falta de comprometimento.
  • planejamento contínuo e de médio prazo: se a queda em 2020 está quase certa, já comecem a planejar não somente o acesso em 2021, como também a série A em 2022, se isso acontecer. Não adianta voltar a série A sem um time base ou com planejamento furado.
  • chega de apostar em técnico aspirante. Já passou da hora de definir um técnico com experiência e criar um projeto de longo prazo. O Coritiba sempre foi mais forte quando apostou em projetos dessa forma.
  • valorizar os sócios de verdade. O sócio não quer plaquinha no Couto, nem desconto na loja. O sócio quer de fato o Coxa disputando campeonatos na parte de cima e o time mostrando raça e vontade. Eles/Elas continuam pagando o clube tendo que ver o desastre acontecer em campo. Uma hora essa paciência acaba. Além de perder sócios antigos, temos o risco de não conseguir novos.

Já tivemos anos de recuperação que demonstram como é possível montar times rápidos e competitivos sem ter o mesmo poder financeiro de clubes mais ricos. Mas parece que não aprendemos e voltamos totalmente a velha estratégia, apostando em jogadores medalhões ou encostados e na mágica de um técnico promissor.

Não precisamos obrigatoriamente nos apegar a inovação, mas simplesmente às estratégias que deram certo com outros clubes ou com o próprio Coxa no passado. Por outro lado, uma renovação total é claramente necessária no atual cenário.

O próximo presidente do Coritiba precisa entender: a torcida quer brigar por títulos. Se o Coritiba corresponder em campo, a torcida sempre vai corresponder na arquibancada. Porém, enquanto repetirmos os erros de sempre, jamais sairemos desse lugar.